Passados mais de 15 meses de governo, o contraste entre o discurso de campanha “Cascavel Unida e Pra Frente” e a realidade das UPAs evidencia um gargalo que a atual administração ainda não conseguiu resolver.

CASCAVEL – O relógio marca pouco mais de 14h em uma terça-feira típica de abril de 2026, mas para quem aguarda atendimento na UPA Tancredo Neves, o tempo parece ter parado. O cenário de cadeiras lotadas, rostos cansados e a espera que ultrapassa as seis horas tornou-se a face visível de uma crise que se instalou na saúde pública de Cascavel. Eleito com a promessa de dar continuidade ao desenvolvimento da cidade e modernizar o atendimento básico, o prefeito Renato Silva (PL) enfrenta agora o desgaste de promessas de campanha que parecem distantes da prática cotidiana.
O Abismo entre o Plano de Governo e a Realidade
Durante a corrida eleitoral de 2024, a plataforma de Renato Silva focava na eficiência e na humanização. No entanto, o que se observa em 2026 é um sistema sob pressão extrema. A principal crítica dos usuários e de especialistas do setor recai sobre a demora excessiva para consultas com especialistas e a constante escassez de medicamentos básicos nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde (UBS).
“Na campanha era tudo tecnologia e agilidade. Hoje, se você não chegar de madrugada, não consegue nem a senha para tentar um agendamento que vai levar meses”, desabafa Maria do Carmo, moradora do bairro Interlagos, que aguarda há cinco meses por uma consulta oftalmológica para o filho.
As Causas do “Gargalo”
Analistas políticos e gestores de saúde apontam que a crise não é fruto de um único fator, mas de uma combinação de falhas estruturais que a gestão Renato Silva não atacou como prometido:
- Déficit de Profissionais: Apesar dos concursos e da valorização dos servidores anunciada no início do ano, a rotatividade de médicos nas UPAs permanece alta, sobrecarregando as equipes remanescentes.
- Reprimenda Pós-Eleitoral: O aumento na demanda por serviços públicos, aliado a uma gestão de fluxo ineficiente, criou uma “fila de espera invisível” que o sistema municipal não consegue absorver.
- Foco em Obras, Falta no Custeio: Enquanto a prefeitura celebra entregas de infraestrutura e revitalizações, críticos apontam que o investimento no “chão da unidade” — insumos e pessoal — ficou em segundo plano.
Promessas Não Cumpridas: O Peso Político
O slogan “Cascavel Unida e Pra Frente” começa a ser questionado pela oposição na Câmara Municipal. Vereadores apontam que a integração tecnológica prometida para unificar o prontuário do paciente e reduzir filas ainda funciona de forma precária. O “choque de gestão” anunciado por Renato Silva e seu vice, Henrique Mecabô, esbarra na burocracia e na falta de uma estratégia clara para a descentralização dos atendimentos de urgência.
O Outro Lado
Em notas anteriores, a Secretaria Municipal de Saúde defende que os investimentos estão sendo feitos e que a rede sofre com o aumento sazonal de doenças respiratórias e a alta demanda de municípios vizinhos que sobrecarregam o sistema de Cascavel. A administração afirma que novos hospitais e parcerias com o Estado (previstas para 2026) devem aliviar o sistema nos próximos meses.
Ponto de Vista: O Relógio de Renato Silva
Para o cidadão que depende do SUS em Cascavel, o tempo não espera por cronogramas políticos. O prefeito Renato Silva entra agora em um período crucial de seu mandato. Sem uma resposta imediata para as filas das UPAs e a falta de médicos, o capital político conquistado nas urnas corre o risco de ser consumido pela mesma saúde pública que ele prometeu curar.
O que você considera mais urgente para a saúde de Cascavel hoje: a contratação de mais médicos ou a reforma física das unidades existentes?
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Fonte: Redação folhadecascavelpr













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